Cenáculo Eucarístico – Ano da Misericórdia

Cenáculo Eucarístico – Ano da Misericórdia

 

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CENÁCULO EUCARÍSTICO – MARÇO: “Sede de Deus!”

Como a corça anela às águas correntes, assim minha alma anela a Ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a Tua face Senhor? (Sl 42,2-3)”

D.: No Ano da misericórdia do Senhor, é importante voltar o nosso olhar para dentro de nós mesmos, atingir o grito profundo de nossa alma, única parte de nós que compreende o quanto faz falta a visão de Deus; dentro de nós, no mais profundo de nós existe esta sede insaciável de ver o rosto de Deus, por isso Santo Agostinho expressa de modo tão genuíno essa verdade: “Tu me fizeste para Ti ó Deus, e meu coração está inquieto enquanto não repousa em Ti”. Aceitemos o convite deste nosso momento de oração e deixemo-nos atingir pela misericórdia de Deus que quer saciar nossa sede com a Sua Admirável Presença. Cantemos….

D.: O tema da “sede” nos acompanha também neste período pré e pós Pascal. Tendo-nos preparado durante a Quaresma para a vivência da Páscoa do Senhor, que é nossa Paz e Ressurreição, a Palavra de Deus vai nos conduzindo para a experiência do “encontro”.

L.1: A ‘sede’ na Bíblia, é associada a uma carência espiritual, a uma ausência dolorosa de Alguém, Único capaz de nos dar paz e felicidade duradouras. De fato, se olharmos para outros salmos encontramos exatamente isso:

L.A: “Ó Deus, Tu és o meu Deus, desde a aurora ansioso Te procuro. De ti tem sede a minha alma, a Ti anela minha carne, como  terra árida, sem água” (Sl 63,2).

L.B: “Uma coisa pedi ao Senhor, e é só isso que eu desejo: habitar na casa do Senhor por todos os dias de minha vida, para saborear a suavidade do Senhor, e contemplá-lo no seu Santuário” (Sl 27,4).

T: A sede do salmista nos traz à memória o grito dramático de Jesus do alto da cruz: “Tenho sede!” (Jo 19,28).

L.1: A sede traz à mente a necessidade da água corrente, fonte de vida. Mas o segredo escondido neste “Tenho sede” de Jesus no alto da Cruz, é revelado por Ele mesmo no capítulo 7 de São João quando diz:

T: “Se alguém tem sede, venha a mim, e aquele que acredita em mim, beba. Do seu seio jorrarão rios de água viva!”  (Jo 7,37-38).

L.2: Como é eloquente esta frase de Jesus! Como é profundo este seu ensinamento! Neste contexto do sétimo capítulo Jesus fala da água viva do Espírito Santo: fonte de vida e santidade da Igreja e de todos aqueles que crêem nas palavras e nos ensinamentos de Jesus.

L.3: No contexto da Cruz, Jesus mesmo grita “Tenho sede”, exprimindo o desejo ardente de voltar novamente à Fonte de água viva que é o Pai, quando definitivamente entrega a Ele o seu Espírito.

T: Mas ao mesmo tempo demonstra também a “sede” da salvação de todos, e na sua sede a sede do Pai, que não quer que ninguém se perca. Por isso, Jesus conclui solenemente: “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).

D.: Não por acaso João testemunha como último ato da vida terrena de Jesus o desabrochar de seu coração aberto: sangue e água. O sangue e a água que sacia definitivamente a sede profunda da humanidade inteira mas sobretudo de cada coração humano, de cada pessoa singular.

L.1: Olhando para este Crucificado encontramos então o rosto verdadeiro da misericórdia divina. Nele mais uma vez os opostos se encontram e silenciam até mesmo os grandes e poderosos:

L.2: Diante dele todos os que o vêem viram o rosto, tamanha é a sua deformação humana devido aos golpes que recebera, mas ao mesmo tempo, n’Ele mesmo se concentra toda a Beleza Eterna do Coração misericordioso de Deus, que resume no grito de seu Único Filho a sede ardente de salvação pela humanidade dispersa.

L.3: É diante desta contemplação que madre Ília compreende a ‘sede’ de Jesus;  e desta compreensão nasce e cresce o que determina a sua missão na Igreja: regenerar a humanidade no amor (cf. RV 3).

H: Entretanto, ninguém recebe uma missão sem antes fazer a experiência profunda de deixar-se regenerar primeiro, como afirma o próprio João, o discípulo amado:

M: “Filhinhos, não fomos nós que amamos Deus, mas foi ele que nos amou por primeiro, e nos enviou o seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados” (1Jo 4,10).

D.: Mergulhada nesta fonte de amor, é que madre Ília encontra o sentido da própria vida e missão, assumindo o aniquilamento de Jesus na sua paixão, deixando-se envolver totalmente no mistério eucarístico, que resume, portanto, a entrega de Jesus na Ceia, a consumação desta entrega na Cruz, e a entrega definitiva de Si na Ressurreição.

T: Aquele que se oferece a nós como Pão Vivo, é o mesmo que abre para nós as portas do Paraíso no momento da morte, garantindo para sempre a Vida Eterna a todos os que crêem.

D.: Nesta contemplação viva e vivificante da Vida que Jesus emana da Eucaristia como Mistério de Amor sempre presente é que madre Ília encontra sua alegria. E talvez, seja justamente aqui, que nos deparamos com a sua sede, como ela mesma expressa na carta de 20 de outubro de 1928, poucos dias antes de fundar a congregação:

L.1: “Amanhã à noite irei ao Cenáculo, talvez seja a última adoração, mas eu rezarei forte forte a Jesus, para que Ele venha depressa na nossa casa, para que seja generoso conosco, que abandonamos até mesmo a alegria da Sua visão (a contemplação da Eucaristia) para a Glória da Sua Eucaristia”.

L.2: Nesta simples expressão se resumem as duas sedes de sua alma: a sede de estar diante d’Ele, de contemplar a Face do seu amor e da sua misericórdia na Hóstia Santa; e ao mesmo tempo ‘ir ao encontro’ dos necessitados, dos pequenos para saciar a ‘sede Jesus’ de reinar no coração deles. E nisso se realiza a glória da Eucaristia!

L.A: Como é grande HOJE a nossa missão! O mundo atual, a sociedade moderna, como ao tempo do profeta Jeremias, provoca as pessoas a se distanciarem dessa Fonte de água viva, através de escolhas que comprometem a comunhão e por vezes determinam o distanciamento da eucaristia:

L.B: “Porque o meu povo cometeu duas grandes iniquidades: eles abandonaram a mim, fonte de água viva, para cavarem para si cisternas furadas, que não retém a água” (Jr 2,13).

T:  E Jesus sofre, sofre sua sede de encontrar-se com todos, de saciar a sede infinita do coração humano.

D.: O que temos feito para aproximar as pessoas desta Fonte da Misericórdia do Pai que é a Eucaristia?

– Sabemos realmente valorizar este Tesouro inesgotável de Graça que nos é dado a cada comunhão?

– Encontramos tempo para ‘estar diante d’Ele’, para ‘consolar’ o Seu Coração através da nossa presença amorosa e da nossa adoração e da nossa reparação por todos os que não o amam?

– Silêncio… Partilha…

– Canto

D.: Um outro ícone encantador desta ‘sede’ de Deus encontramos no contexto pascal: a ‘sede ardente’ de Maria Madalena que vigia fora do túmulo na madrugada da ressurreição:

L.1: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro...” (Jo 20,1).

L.2: Enquanto seu coração chora Aquele que sepultaram morto, a fé escondida na alma ‘aguarda ansiosa’ Aquele que vem ao seu encontro: o Vivente, que a conhece e a chama pelo nome!

L.3: E aqui ressoa mais uma vez para nós a voz do salmista: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a Tua face Senhor? (Sl 42,2-3)”

T: Maria Madalena chega por primeiro no túmulo porque atraída por Aquele que já a esperava.

L.1: Por Aquele que anteriormente havia lhe oferecido o abraço da misericórdia e o banquete deleitoso de Suas Palavras, como a mais saborosa de todas as iguarias.

L.2: É esta vigilância atenta e amorosa, de uma fé que não se rende nem mesmo diante da morte, que sustentou também madre Ília no decorrer de toda a sua vida; a mesma fé que a manteve livremente aberta e feliz de poder abraçar Aquele que seu coração velava com ardor desde o primeiro encontro da sua juventude até às 5h20 da manhã daquele 23 de março de 1977.

L.3: Esta sede ardente que alimentava seu coração amante e adorador é expressa claramente no lema com o qual marca todas as suas cartas iniciando-as com: “Só Deus!”; mas também com o lema que escolheu para caracterizar a identidade da Congregação a ela confiada: “Venha Jesus o Teu Reino Eucarístico!”.

T: Em todos(as) nós mora essa sede do Deus Vivo, d’Ele somente, o Único capaz de saciar-nos verdadeiramente! Os nossos corações são depositários desta Fonte de Água viva ao mesmo tempo em que dela somos saciados(as).

D.: Neste Ano da Misericórdia, as portas das nossas Igrejas se encontram abertas para que todos possam aproximar-se dessa Fonte que jorra para a vida eterna. Peçamos a madre Ília, que interceda por nós, para que nunca nos afastemos desta Fonte e faça de nós, canais livres para que outros possam beber desta água viva, até que chegue o dia de ver a face de Deus, de contemplá-lo no seu santuário!

T: “Que Ele seja para nós aqui embaixo, o que é para os santos no céu, um espelho puríssimo, no qual todos se conhecem e se amam. Que a nossa meta, o fim de todos os nossos sacrifícios, não seja a nossa santidade, mas a Sua glória, a glória da Sua Eucaristia”  (01/11/1928).

– Benção final e Canto…